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La Niña deve durar até o início do outono

Isso traz consequências para a colheita, que pode enfrentar alguns excessos de chuva principalmente no Matopiba.

January 5, 2018 10:37  |  Redação - Canal Rural
Niña

 

2017 foi um ano em que a agricultura pôde comemorar uma boa produtividade, tanto na safra de verão quanto na safrinha. O clima colaborou para o bom desempenho das lavouras.

Mas, enquanto os produtores rurais comemoram um melhor rendimento, setores ligados à geração de energia seguem preocupados, pois a falta de chuva persistente em várias bacias hidrográficas apontam uma característica mais permanente do clima.

A chamada oscilação decadal do Pacífico mostra uma condição de águas mais frias do oceano Pacífico Equatorial, em um ciclo que tem uma estimativa de duração de cerca de 30 anos. Ou seja, nas próximas três décadas, a tendência é termos mais La Niñas do que El Niños.

Esse ciclo, aliás, tem interferência direta inclusive nesses fenômenos. De 2012 para cá, tem chovido mais no Sul, e o Nordeste tem sofrido mais com as estiagens mesmo com condições do La Niña que favorecem justamente o contrário.

O La Niña é o resfriamento do oceano Pacífico Equatorial na região central, o que provoca mudança na intensidade e velocidade dos ventos em todo o globo. Por exemplo, no Sul é normal termos uma diminuição na precipitação, só que, no início de 2017, o La Niña era o Modoki.

O especialista em clima Celso Oliveira explica: “O Pacífico estava frio somente na região central, e o leste do oceano apresentava águas mais quentes. Com isso, apesar de o La Niña provocar estiagem no sul, aconteceu justamente o contrário”.

Agora, no verão 2017/2018, temos uma diferença justamente na temperatura do oceano Pacífico. Os desvios de temperatura são mais baixos do que os registrados no início de 2017.

“O fenômeno La Niña vigente é considerado clássico, com efeitos mais esperados, ou seja, as chuvas estão mais fracas principalmente na fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai e a Argentina”, afirma Celso.

A expectativa é que o La Niña perdure até o início do outono, e isso vai trazer consequências para a colheita, que pode enfrentar alguns excessos de chuva principalmente no Matopiba. Depois disso, teremos neutralidade climática no oceano Pacífico Equatorial.

“Os efeitos serão mais percebidos entre o Nordeste e o Norte do Brasil, principalmente entre o final do verão e início do outono. Nos anos de La Niña, a zona de convergência intertropical, uma instabilidade que atua pela costa norte do país, ganha intensidade, e a expectativa é de chuvas acima da média principalmente entre os meses de março e abril. Agora, no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, o que vamos perceber é um efeito mais modesto do fenômeno”, diz Celso.

Daí vem a explicação de tantas especulações sobre o preço da arroba neste início do ano. Afinal, pecuaristas e frigoríficos do Norte do Brasil já sabem que podem enfrentar problemas com o manejo e escoamento dos bovinos neste início do ano.

Pryscilla Paiva, editora de Tempo do Canal Rural